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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Hipocrisia Apocalíptica / Fábio de Carvalho Maranhão

IX

Quando eu conversei com meu amigo e professor, o historiador Alexandre, ouvi coisas que na realidade, eu não ouvia há tempos. Conversamos sobre coisas que muita gente tem preguiça ou evita conversar. Mas na verdade, existe um contrapeso, que é a necessidade do amadurecimento intelectual. 
A conversa principal se tratou da hipocrisia, que contamina ou é gérmen hereditário que as vezes nem tem cura.
Nossa prosa não foi muito extensa, mas com certeza, tem a capacidade de esclarecer e direcionar muita gente em diversos assuntos e situações. Iniciamos nossa conversa quando, por conveniência, nos encontramos no Hotel Poeta dos Palmares, para falar sobre meu artigo científico, que por sinal, foi exigência para a conclusão do meu curso de especialização em Ensino de História. O objetivo da conversa não foi discutir o artigo em si, pois meu orientador foi o Professor e Poeta Vilmar Carvalho, fato que me enche de orgulho, não apenas pela situação de aceitar me orientar, mas pela pessoa que ele é, pelo professor e pelo grande poeta da cidade dos Palmares-PE, terra a qual eu nasci.
Ao sentarmos para a conversa, logo abasteci meu copo de estimação de café, e como se não bastasse, ofereci ao professor Alexandre uma dose de Wisk, que logo recusou, com um sorriso educado e um "eu prefiro acompanhar o amigo com um café".
O professor Alexandre Lima é daquelas pessoas que todo mundo gosta. Não só pelo fato de ser professor competente, historiador de qualidade, responsável e profissional, mas pelo ser humano que demonstra ser durante seus contatos com os alunos.
Iniciamos a conversa da seguinte maneira:
___Professor Alexandre, eu conheço uma poção de gente que nos fins de semana estão em altares de igrejas pregando o que eles chamam de "Palavra" e nos fins de semana vendem cachaça, e ainda fazem promoções para venderem mais. O que o senhor acha disso?
O professor Alexandre não hesitou em me responder, mas por questão de ética, não vou publicar o que ele declarou nos seus discursos bem fundamentados e repleto de coerência.
Na sequência, proferi:
___ Amigo e estimado professor, conheço várias pessoas repletas de discursos moralistas, que declaram serem contra a prática de propina em todos os âmbitos. Indago o amigo sobre a seguinte situação: Por que muitos desses sujeitos presenteiam a polícia e outras autoridades, como se esperassem favores em troca?
Não preciso narrar que a resposta do amigo e professor foi uma aula de filosofia regada a uma contextualização histórica acerca de valores culturais. Mas emendei com outra pergunta, acerca de profissionais de diversas áreas, me atendo restritamente a uma:
___ Conheço um amigo que sua religião não permite diversas coisas, dentre elas incitar ao pecado. Minha dúvida é: Por que um sujeito que é do "alto escalão da sua igreja", grava anúncios de diversas ordens, especialmente aquelas que convidam as pessoas para beberem e dançarem.
Meu amigo e professor não hesitou em responder, deixando clara sua sabedoria e juízo ao pronunciar suas opiniões, repletas de fundamentação teórica nas áreas de filosofia, psicologia e história.
Nossa conversa foi longa, e como um filósofo e um discípulo, trocamos ideias, fazendo questionamentos repletos de coerência em face das incoerências históricas, especialmente acerca da ética religiosa e do espírito da hipocrisia humana.
___ Professor, e o prefácio do meu livro "Prosa Imunda" quando fica pronto?
___ Esses dias conversaremos sobre ele.
___ Mas me fale outra coisa: O que há com o povo brasileiro diante de tudo que vem acontecendo na esfera política golpista e da imprensa manipuladora?
___ O que posso falar no momento é sobre os jogos de interesses, amigo. Mas muitas coisas explicam os fatos. Vamos pensar, por enquanto, contrário a Renato Russo, que o Brasil não é o país do futuro. E isso será durante muito tempo...
___ Lamentável, não, amigo?
___ Sim, amigo, lamentável!!!...

Fábio de Carvalho [Maranhão] 

26/02/2017,17h30 - 170h49min- Domingo, Cortês-PE.



domingo, 19 de fevereiro de 2017

Carnaval sem Apartheid / Fábio de Carvalho Maranhão

VIII

Eu nunca quis compor samba em homenagem a malandro nem pra gente metida a socialight. É que gente com característica de ser o que não é estar cheio por aí. É comum a gente encontrar, por exemplo, aqueles e aquelas que não querem se misturar com a "gentalha", pois para eles, quem tem sangue nobre deve preservar a linhagem, até quando se trata de uma festa carnavalesca estilo baile municipal. Geralmente, essa gente metida a besta, procura não perder um evento como este por nada, pois deixar passar uma oportunidade como esta é o mesmo que atirar no próprio pé e assinar declaração de membro da classe C, D e E. Eu dou rizada quando vejo essas pessoas achando que tem sangue azul e quase flutuam quando caminham, pois quase não pisam no chão. Ainda arrisco dizer que, boa parte dessa corja "ricaça sem ser" são míopes e tem problema de torcicolo permanente, pois não olham do lado quando passam pela gentalha nas ruas. Essas pessoas juram, sempre, que além de pertencer a dita "sociedade" do ponto de vista do capital e da educação burguesa, são inteligentes e bem articulados. Claro que cada palavra dessa cabe como adjetivo para toda pessoa sem exclusão, mas o sentido aqui é outro, e já estar claro como a roupa de uma madame que me inspirou essa crônica no último baile municipal realizado em Cortês. A fantasia, afirmo, tratou-se, na ocasião, de um uniforme branco. Não denunciarei para não desvendar nem atropelar algum pormenor que mereça a interpretação única de cada leitor e leitora.

Na última noite de sexta-feira (17), eu vibrei quando vi aquela senhora de meia idade, de natureza humilde, indo se misturar com o pessoal do baile. Antes disso, presenciei a soberba de um grupo fantasiado, achando que iriam para a posse de Donald Trump, sem perceber que seriam hostilizados por serem latinos. Mas o mais chocante, foi ter passado por dois conhecidos, que juravam ser em pessoa, Adão e Eva indo para o paraíso sem precisar pagar o dízimo e ofertas através de depósitos bancários. Não me cumprimentaram mesmo eu tendo quase quebrado o pescoço ao olhar para eles para não ser indelicado. Caminhavam como se fossem eles, o casal mais esperado do baile, e por consequência, os mais odiados, pois como sempre falo, onde há sucesso lá estar a inveja. Mas o sucesso deles e de tantos outros são regados a enormes doses de ilusão misturada com sonho, e isto só reforça a teoria do pertencimento a sociedade, que muitos não abrem mão de pertencer, mesmo sem ter seu deus em abundância: o dinheiro, nem o conhecimento que emancipa.

Caminhei para casa e liguei para um amigo, que por sinal, estava pronto para ir ao baile, e que na hora da minha ligação, já declarou de pronto que estava ansioso para vê toda aquela mistura de ébrios, gente humilde, classe "A" e tudo o que mais era de imprevisível.

___ Quais as tuas expectativas, Martins?
___ Todas, meu bom amigo!
___ Tem alguma específica?
___ Sim! A baba já estar até caindo.
___ Qual é?
___ Vê a cara daquelas senhoras "ricas" no nosso meio. Imagina só: a cara da riqueza com a cara da gentalha numa festa só.
___ Para quem pensa que dinheiro é tudo, será o fim da picada.
___ Lembrei-me daquela madame, quando uma vez, deu um discurso odioso e cheio de preconceito. Falou na cara da minha irmã que a confraternização da empresa seria dividida em duas.
___ E aconteceu?
___ Sim. Um dia foi da turma do serviço pesado, no outro, do pessoal da linha de frente. Acredita que ela teve a ousadia de dizer na maior cara de pau que festa do segundo escalão tem que ser entre eles, e desejou em si própria uma dor de barriga para ter a desculpa de não comparecer. Ela sendo gerente, não poderia faltar. Já pensasse?!
___ E no baile de hoje, essa madame, certamente irá, não é?
___ Já estar lá, meu amigo. E eu vou fazer questão de cumprimenta-la com a mão direita, molhada de wisk. Andes de oferecer-lhe minha garra direita, vou tossir umas dez vezes na mão na sua frente, e esperar sua reação.
___ Vejo que o amigo estar disposto a tirar o atraso.
___ Não é bem isso. O fato é que se ela tem raiva de pobre, e não aguentar minha inconveniência regada a vírus de tosse, que vá curtir outro baile com a socialight.
___ Você me faz rir e chorar de tanto rir Martins.
___ Mas é fato o que declaro ao amigo. Eu jamais me imaginaria nesse baile municipal de carnaval sem oferecer uma mão para quem anda com álcool gel na bolsa para desinfetar as mãos após cumprimentar gente pobre feito nós. Sabe o Tobias, aquele meu vizinho?
___ Sei.
___ Acebei de pagá-lo adiantado para ele realizar um serviço interessante. Ele vai filmar esse movimento todo, até o momento em que ela sacar da sua bolsa de 18 reais comprada na 25 de março e tirar o álcool gel para limpar as mãos. Solicitei no mínimo três flagrantes.
___ Esquece essa ideia, Martins.
___ Esquecer? Jamé!!!
___ Mata-me de rir! Mas me fala uma coisa: Você vai de cara limpa? E se a megera te conhecer e depois querer planejar vingança?
___ Ela não vai me conhecer, Nascimento!
___ Não?
___ Não, pois vou fazer jus a Noite dos Mascarados.
___ Ideia boa. Mas toma cuidado pra não se apaixonar viu!
___ Que ideia!
___ Vai que a ilusão da música de Francisco te pega e você muda de ideia, e ao invés de golpeá-la, você leve uma rasteira das próprias pernas.
___ Melhor esquecer isso e ficar na torcida, Nascimento.
___ E esse vídeo, o que  vai fazer com ele?
___ Sei lá. Por hora vou colocar no mau arquivo. Depois penso melhor.
___ Então boa sorte. E cuida pra não beber demais.
___ Deixa comigo.
___ Boa noite, Martins!
___ Boa, Nascimento.

Quando desliguei o telefone, me veio de súbito uma vontade de ir àquele baile só pra vê a cara da riqueza misturada com meus parceiros e minhas parceiras. Uma máscara resolveria meu problema. Se bem que para muita gente, a máscara já vem de fábrica, e sem censura, se enquadra com o perfil da megera, que em nome do sangue da nobreza, humilha e descrimina os pobres pela condição social.

Bendito carnaval, que coloca todo mundo em um balaio só, e desfigura ao menos momentaneamente, a hipocrisia do apartheid social, que a maioria do povo nega existir.

Quatro horas da manhã, no auge do sono profundo, o telefone vibra emitindo alerta de chamada. Era Martins, bêbado e feliz.

___ Fala seu vigarista! Isso são horas de ligar para um pai de família morto de sono?
___ Nascimento, me deixa falar... Você não imagina!
___ Eu? Imagino sim. Você nem imagina como eu imagino.
___ Olha, tenho novidades viu.
___ E o plano deu certo?
___ Qual plano?
___ A vingança contra a megera.
___ Sim. Só liguei pra te dizer que quando passar minha ressaca eu te conto tudo.
___ Vai dormir, Martins.
___ Já estou deitado.
___ Olha, ao menos me fala uma coisa: com quantos foliões se faz um baile carnavalesco?
___ Com quantos eu não sei, mas graças a Deus que não fizeram camarote. (ou fizeram?)
___ Fizeram ou não?
___ Sabe que agora fiquei na dúvida? É que eu estou muito bêbado.
___ Vai dormir, Martins. Quando acordar me telefona.
___ Melhor. Se eu esquecer você liga. Tenho novidades...

Fábio de Carvalho [Maranhão]

19/02/2017, 19h30min - 20h26min- Domingo, Cortês-PE. Escritório de Trabalho [Biblioteca Particular].


Foto: Fábio de Carvalho - Acervo Pessoal / 02/2013

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sr. Ferreira, Profeta e Filósofo: ensaio sobre os covardes / Fábio de Carvalho Maranhão

Sr. Ferreira, Profeta e Filósofo: ensaio sobre os covardes / Fábio de Carvalho Maranhão

VII

Alguns fatos são impressionantemente desastrosos do ponto de vista da covardia, da fraqueza, do egocentrismo e da dupla personalidade. Esses dias estive pensando sobre isto e tirei algumas conclusões, mas eu jamais teria pensado nisso, se no início do século XXI eu não tivesse conhecido um sujeito ainda moço, com reduzido muito vigor nos olhos, pois desde sempre demonstrou um ar de mandrião. Sua disposição sempre foi, dentre algumas, para tomar cachaça e largar brincadeiras inoportunas sem hora e escolha de pessoa. Não lembro até a data de hoje ter conhecido um sujeito assim. Mas para falar dos fatos impressionantemente desastrosos dos pontos de vistas supramencionados, narrarei por alto a história das histórias de João Malandro, incluídas nos meus diálogos um amigo caro. Creio que é de suma importância, pois passados quase vinte anos, ainda encontro gente da mesma índole do tal sujeito, e que ainda por cima, jura de pés juntos que gosta de trabalhar e que pensa no outro, sendo altruísta por natureza, e de resto, bom colega.

Certa vez, em conversa com o senhor Ferreira, bem no meio da ponte principal da Praia de Suape-PE, gravei bem uma máxima citada por ele, e confesso que só depois de algum tempo eu compreendi de maneira mais natural e receptiva, pois para os meus ouvidos, aquilo soava como uma nota musical com acordes impróprios, e para minha alma, como um pecado irreparável...

___ Estais vendo aqueles ali, Alberto?
___ Estou seu Ferreira! O que eles tem?
___ Não arrisca?
___ De certo!
___ Mande.
___ Amizade.
___ Certamente. Quer saber de uma coisa? Conheço todos desde moços, e pela experiência que tenho, basta um vendaval para seus chapéus caírem e cada um correr atrás apenas do seu...

Eu fiquei pensativo após ouvir tais palavras, e emendei com uma breve interrogação e um leve oscilar de ombros:

___ E?...
___ O que eu quero dizer é que quando o problema ou a solução finda com a satisfação pessoal, o outro que se foda, cada um que se vire, porque pior do que uma queda é um coice na sucessiva, por isso, o bom mesmo, é sempre ficar na retaguarda e sempre vê se há ou não pedra no próprio sapato.

Passados muitos anos, com um acervo de muitas experiências, eu tenho comprovado isso através de muitos fatos constrangedores gerados por pessoas que pensando que o outro é desprovido de intelecto ou simples vontade de pensar, não analisa e conclui suas dissimuladas ações mal planejadas e antônima ao altruísmo.

Outro dia, o senhor Ferreira lembrou-me essa conversa, e para ser sincero, o velho, pois hoje posso chamá-lo assim, mas com respeito, tinha e tem toda razão. Entre um café e uma poesia, ele me fazia uma pergunta e as interrogações ficavam no ar, porém, debatíamos bastante sobre suas filosofias cheias de coerência e realismo entre uma música com violão e uma boa cantoria.

___ Quantos dos seus amigos deixariam ou deixaram de lado o que possivelmente lhes é ou seria cômodo para estar ao seu lado em um momento de exposição e de enfrentamento?

Pensei um pouco. Fitei os olhos do indagador sereno e experiente. Franzi a testa. Conclui: ___ Até agora, nenhum.

___ Já travastes algum embate que não apenas viesse a culminar só na sua vitória ou derrota, mas na derrota ou vitória dos teus pares, e na hora de levantar a espada, a lança, subir a cavalaria, empunhar o escudo, ninguém o acompanhasse, com a desculpa de que não há o que fazer, pois a batalha seria em vão, ou por covardia, ou por não querer se comprometer com a luta coletiva e certamente dolorosa e dura, fato este que geraria uma série de intempéries, tropeços e árduas caminhadas?
___ Sim. Algumas de curta e outras de longa duração.  
___ E existiu ou existiram àqueles que, dissimulados, tentaram simular ou simularam, estar na batalha, mas ao mesmo tempo falando a língua do inimigo, assinando acordos de boca ou de papel, aceitando o peso mais leve, quando na verdade, deveria seguir dividindo o peso e lutando na batalha com as mesmas armas e com os mesmos objetivos?
___ Sim. Muitos surdos, outros mudos, outros coxos por opção.
___ Não vês? Quantos chapéus caíram? Mas certamente, muitos possuem outros chapéus para substituir o chapéu perdido, e ainda há aqueles, que não se incomodam com o sol ou não possuem calvície. E se há quem tente recuperar o tal chapéu de mexicano, que garante sombra para todos, para que então se queimar ao sol e na batalha? Compreendes? Essa é a reflexão.

O senhor Ferreira me falou tais palavras e tantas outras com um ar de profeta e filósofo me fazendo crê naquilo que o peso dos anos, mesmo tendo ainda meia idade, me ensinaram. Logo pude concluir também, que quando Papai me falava "Primeiro eu, segundo eu, terceiro eu, décimo terceiro os outros", ele traduzia perfeitamente e de maneira mais simples, as mesmas palavras do velho Ferreira. Papai estudou até a quarta série, um ano a mais do que o senhor Ferreira. Citamos isto depois da terceira xícara de café, no Café Donuts, no North Shopping Caruaru-PE. Nesse dia, entre o trágico e o cômico conversamos em tom de comédia para a vida não perder a graça...

___ Alberto!
___ Fale, seu Ferreira.
___ Faz feito disse teu Pai. Eu só mudo o pronome: "Primeiro tú, segundo tú, terceiro tú, décimo terceiro os outros".
___ A partir de amanhã será assim, seu Ferreira.
___ Será, Alberto?
___ Me conhecendo como o senhor me conhece, lhe resta alguma dúvida?
___ Nenhuma!
(...)
___ Sei Ferreira.
___ Fala, Alberto.
___ E aqueles amigos que o senhor me mostrou há alguns anos na ponte da Praia de Suape, que fim levaram?
___  Fizeram um bolão na Mega-Sena, e o mais calado sumiu com o bilhete premiado. Os outros três quase enlouqueceram de raiva e quase saia morte...
___ "!!!"
(...)
___ Outro café, por favor!
___ Dois...

Fábio de Carvalho [Maranhão]

12/02/2017,19h30 - 20h47min- Domingo, Cortês-PE, Escritório de Trabalho [Biblioteca Particular].

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Uma memória atual que vale a pena / Fábio de Carvalho [Maranhão]


VI

Micro Crônica:

Alexandre Ventura foi o músico que me deu os primeiros toques de violão. Eu nunca imaginei que eu poderia ser um músico. Mas pensando bem, eu acho que eu pensava errado, pois mesmo até aquelas alturas eu não tendo tido nenhum músico na família, isso não queria dizer que era regra para tal oficil.

Quando isso aconteceu, eu tinha 13 anos, e como eu não gosto de arrodeio, menciono essa essa minha antiga insegurança.

De lá pra cá são vinte anos chão, e a música, sempre sendo uma obra presente na minha vida como o ar. Eu fui o combustível dessa arte, e mesmo diante de dificuldades e atropelos, eu me senti confortável para trilhar os caminhos dos acordes, notas e partituras.

Quando desejei aprender música, não comprei de imediato um violão. Hoje toco alguns instrumentos de cordas, percussão e sopro, pois quando desejo algo, percorro os caminhos mesmo que eles sejam cobertos de espinhos.

Lembro bem que quando eu não tinha um violão, meu amigo Joabe Melo me emprestava o dele. Eu caminhava da rua Pe. Antônio Borges até a Rua Celso Borba para ir buscar seu Tagima. Diante desse contexto eu faço várias análises, e uma delas é a de que, muitas vezes, mesmo tendo amigos músicos, não são todos que se sentem à vontade para emprestar um instrumento musical, e especialmente quando ele se trata de um instrumento de cordas. Mas dentro desse contexto, eu sei que aprendi muitas coisas no ramo musical.

Quando na rua Frederick Von Shosten, em Cortês, eu tive minhas primeiras aulas de violão com esse amigo do peito, eu não vi muitas perspectivas, até pela pouca idade, mas com certeza, sei que como nada é por acaso, as minhas mãos e essa amizade não nasceu para passar como uma brisa qualquer, e hoje, justamente nesse dia, estamos aqui, nós três, nesse momento (às 18hs14min), em minha residência, tocando violão e cantando músicas da nossa história. Mas o que vale não é isso; o que vale mesmo é nossa amizade de tantos anos...

Fábio de Carvalho [Maranhão]
Cortês-PE, domingo, 05/02/17. - Escritório de Trabalho [Biblioteca Particular]